segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Para começar vou me usar de um texto á 4 mãos feito com meu Amore Eder Fabrício.

Do seu lado da cama.

Através do vidro da janela do ônibus, ele observava a cidade. Era final de inverno e a temperatura era mais gelada do que de costume. Todos com inúmeras peças de roupas, cachecóis azuis, moletons coloridos, toucas cinzas, luvas pretas e marrons, botas e casacos vermelhos, e todas as outras cores que couberem na sua aquarela. Coloridos que se contrastavam com o cinza do céu. Uma certeza que tinha, era a de que no inverno tudo se tornava mais bonito.
Torcia para demorar chegar ao metrô. A semana foi um verdadeiro inferno, estava tão cansado, que a idéia de descer  do ônibus e seguir caminhando lhe dava arrepios.
Era sexta feira e não tinha nenhuma mensagem dela no celular e nem na secretária, também não havia e-mail's na caixa de entrada. Não combinaram o que comeriam, não disseram se teria ou não o tradicional vinho tinto e o bate papo de sexta feira a noite. Ambos trajavam orgulho dos pés à cabeça.
Ele não conseguia esquecer a briga de terça feira.
Ela fazia questão de lembrar de todos os erros dele daquela briga de terça feira.
Toda a trajetória até sua casa, foi bem dolorida, o cansaço físico era notório, mas o psicológico era explícito.
Em casa procurou manter a mente ocupada. Enquanto sentia a dor do orgulho pulsar em seu peito, escutava os tais versos tristes que coincidentemente (ou não) faziam parte dos seus últimos dias:


A cada acorde, seus olhos ficavam úmidos. Sentia um desconforto no estômago e novamente enxergava a indiferença dela, como se estivesse realmente ali, jogando uma a uma, aquela sequência de palavras tristes e geladas como a estação.
Quando saiu do banho notou a claridade do celular indicar uma nova mensagem:

-E aí, qual o plano?

Característico e previsível. Havia jogado a responsabilidade para ele. Respondeu com meias palavras, meias verdades, mesmo com o coração em brasa e também pela metade, se esquivou como pôde.
Mas por fim estavam sob o mesmo edredon xadrez em vermelho e verde.
Mesmo após o dia exaustivo ele acordou pela madrugada, só para admirá-la dormir. Ver aquele rosto angelical lhe causava tantas sensações (dor, amor, medo, insegurança). Era tão linda, mesmo com tais sensações, era grato pelo momento. Olharia a noite inteira. Difícil era encará-la quando estivesse acordada, o olho no olho. Havia mágoas e sonhos guardados nessas caixas de fotos e cartas antigas.
O sábado a princípio foi indolor, seguido de um baile de máscaras e discussões:
Ele fantasiado com seu orgulho;
Ela nitidamente perdida na distância entre ambos;
Ele trajava medo. Como a amava, tentou quebrar o gelo, mas disse a frase errada na hora inadequada. Queria tanto que tudo fosse resolvido com o tempo, sem a exaustão de longos diálogos.
Farpas, fagulhas, vidros e sentimentos foram para os ares. Tudo espalhado pelo chão de madeira cor de mógno. Espirrados para todos os lados, estavam os resíduos de um amor doloroso.
Ele com a razão no pulso (feito um relógio suíço), continuou a atacar e gesticular.
Ela ameaçou usar insegurança e ir embora.
Ele revidou dizendo que se fosse não era pra voltar. Calçou decisão. Seu coração rasgou no peito, mas não podia ceder. Tinha de se impor. Ele também ousou e gritou. O teatro já estava calado e a peça precisava mesmo chegar ao ápice:
-Está desistindo de nós! E se deitou.
Gritou mais uma vez, demonstrando o medo que sentiu ao vê-la ir.
Ela jogou algo no chão, não importava mais... em um único instante também foram ao chão: orgulho, distância, medo, insegurança e lágrimas, manchando o amor dos dois.
Ele desmorona completamente quando ela chora.
Ele  levantou-se calado, apagou as luzes e todas as mágoas e a trouxe até a cama. Deitou e enroscou-se nela. O choro cessou. Dormiram.

Dei meus sentimentos em preto e branco embrulhados em um pacotinho com fita colorida pra chamar sua atenção nas mãos desse amigo tão querido, ele ao ver a fita colorida destacando o pacote viu potencial, pegou o desenho dos meus sentimentos, sem cor nenhuma e sentou-se com seus lápis de cores mais bonitas e pôs-se a colorir e embelezar, deu cor ao meu inverno, a descrição do meu caminho de casa, desenhou botas vermelhas pra dar charme, colocou cores cintilantes ás minhas dores pra destacar e fez um degradê de tons azulados no choro do meu amor. Obrigado meu Amore.

Um comentário:

  1. Está me acostumando mal heim Dan... me enche de elogios e mimos... rs Obrigado pelos elogios. Mas você é quem deve ser elogiada, esse texto é mais seu do que meu.

    Lindo, lindo. Beijos.

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