Através do vidro da janela do ônibus, ele observava a cidade. Era final de inverno e a temperatura era mais gelada do que de costume. Todos com inúmeras peças de roupas, cachecóis azuis, moletons coloridos, toucas cinzas, luvas pretas e marrons, botas e casacos vermelhos, e todas as outras cores que couberem na sua aquarela. Coloridos que se contrastavam com o cinza do céu. Uma certeza que tinha, era a de que no inverno tudo se tornava mais bonito.
Torcia para demorar chegar ao metrô. A semana foi um verdadeiro inferno, estava tão cansado, que a idéia de descer do ônibus e seguir caminhando lhe dava arrepios.
Era sexta feira e não tinha nenhuma mensagem dela no celular e nem na secretária, também não havia e-mail's na caixa de entrada. Não combinaram o que comeriam, não disseram se teria ou não o tradicional vinho tinto e o bate papo de sexta feira a noite. Ambos trajavam orgulho dos pés à cabeça.
Ele não conseguia esquecer a briga de terça feira.
Ela fazia questão de lembrar de todos os erros dele daquela briga de terça feira.
Ela fazia questão de lembrar de todos os erros dele daquela briga de terça feira.
Toda a trajetória até sua casa, foi bem dolorida, o cansaço físico era notório, mas o psicológico era explícito.
Em casa procurou manter a mente ocupada. Enquanto sentia a dor do orgulho pulsar em seu peito, escutava os tais versos tristes que coincidentemente (ou não) faziam parte dos seus últimos dias:
A cada acorde, seus olhos ficavam úmidos. Sentia um desconforto no estômago e novamente enxergava a indiferença dela, como se estivesse realmente ali, jogando uma a uma, aquela sequência de palavras tristes e geladas como a estação.
Quando saiu do banho notou a claridade do celular indicar uma nova mensagem:
-E aí, qual o plano?
Característico e previsível. Havia jogado a responsabilidade para ele. Respondeu com meias palavras, meias verdades, mesmo com o coração em brasa e também pela metade, se esquivou como pôde.
Mas por fim estavam sob o mesmo edredon xadrez em vermelho e verde.
Mesmo após o dia exaustivo ele acordou pela madrugada, só para admirá-la dormir. Ver aquele rosto angelical lhe causava tantas sensações (dor, amor, medo, insegurança). Era tão linda, mesmo com tais sensações, era grato pelo momento. Olharia a noite inteira. Difícil era encará-la quando estivesse acordada, o olho no olho. Havia mágoas e sonhos guardados nessas caixas de fotos e cartas antigas.
O sábado a princípio foi indolor, seguido de um baile de máscaras e discussões:
Ele fantasiado com seu orgulho;
Ela nitidamente perdida na distância entre ambos;
Ele trajava medo. Como a amava, tentou quebrar o gelo, mas disse a frase errada na hora inadequada. Queria tanto que tudo fosse resolvido com o tempo, sem a exaustão de longos diálogos.
Farpas, fagulhas, vidros e sentimentos foram para os ares. Tudo espalhado pelo chão de madeira cor de mógno. Espirrados para todos os lados, estavam os resíduos de um amor doloroso.
Ele com a razão no pulso (feito um relógio suíço), continuou a atacar e gesticular.
Ela ameaçou usar insegurança e ir embora.
Ele revidou dizendo que se fosse não era pra voltar. Calçou decisão. Seu coração rasgou no peito, mas não podia ceder. Tinha de se impor. Ele também ousou e gritou. O teatro já estava calado e a peça precisava mesmo chegar ao ápice:
-Está desistindo de nós! E se deitou.
Gritou mais uma vez, demonstrando o medo que sentiu ao vê-la ir.
-Está desistindo de nós! E se deitou.
Gritou mais uma vez, demonstrando o medo que sentiu ao vê-la ir.
Ela jogou algo no chão, não importava mais... em um único instante também foram ao chão: orgulho, distância, medo, insegurança e lágrimas, manchando o amor dos dois.
Ele desmorona completamente quando ela chora.
Ele levantou-se calado, apagou as luzes e todas as mágoas e a trouxe até a cama. Deitou e enroscou-se nela. O choro cessou. Dormiram.
Dei meus sentimentos em preto e branco embrulhados em um pacotinho com fita colorida pra chamar sua atenção nas mãos desse amigo tão querido, ele ao ver a fita colorida destacando o pacote viu potencial, pegou o desenho dos meus sentimentos, sem cor nenhuma e sentou-se com seus lápis de cores mais bonitas e pôs-se a colorir e embelezar, deu cor ao meu inverno, a descrição do meu caminho de casa, desenhou botas vermelhas pra dar charme, colocou cores cintilantes ás minhas dores pra destacar e fez um degradê de tons azulados no choro do meu amor. Obrigado meu Amore.

Está me acostumando mal heim Dan... me enche de elogios e mimos... rs Obrigado pelos elogios. Mas você é quem deve ser elogiada, esse texto é mais seu do que meu.
ResponderExcluirLindo, lindo. Beijos.